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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O PÉ DE AMORA

O mar de Copacabana está lindo hoje. Águas tão azuis... O céu está mais azul que o normal. Gaivotas voam para la e para Ca. Algumas vieram em direção a minha janela. Pensei que fossem entrar. (Rsrs) Fizeram uma manobra radical, peguei carona e acompanhei o bando de gaivotas. Minha mente acompanhou o bando de gaivotas como que me levando a um passado nebuloso do qual eu queria esquecer.
Eu era apenas uma menina como outra qualquer. Meu rosto era de um anjo. Minha voz era meiga... Lembro muito bem que por onde eu passava... Eu despertava a atenção de todos. Eu era linda... Meu rosto era delicado. Parecia o rosto de uma boneca de porcelana. E por falar em bonecas... Ahh... Eu era fascinada por bonecas! Bonecas grandes! Eu sonhava com bonecas com freqüência. Queria tanto uma boneca grande de porcelana...
Eu adorava subir no pé de amora. Passava horas la em cima comendo amoras. Comendo amoras com lágrimas. As amoras ficavam com gosto diferentes com lágrimas. Chorava... Cantava... Cantava muito. Enquanto cantava, Balançava os galhos e fazia uma espécie de balanço. Sentia o vento nos meus cabelos encaracolados. Ficava imaginando meus cabelos longos. Imaginava que eu seria uma mulher linda de cabelos compridos... Em cima daquela árvore eu me sentia uma menina livre! Feliz! Eram apenas eu, o pé de amora e o vento. O pé de amora era um dos meus refúgios. Eu adorava e odiava o pé de amora.
Certa vez, minha mãe me pegou brincando com a boneca da filha da vizinha. Ela me agarrou pelo pulso e me arrastou até nossa casa, foi direto para o fundo do quintal, pegou um galho de amora. Me bateu. Bateu até o galho se desfazer por completo. Não satisfeita, ela me arrastou de novo até o pé de amora. Retirou um novo galho e começou novamente a tortura. Eu tentava desviar do chicote, mas ela era forte. Seu pé prendia meu pescoço. Além das chicotadas, eu ainda ficava sem respirar. Ficava sufocada! Eu gritava por socorro, ninguém aparecia! Os vizinhos não queriam se indispor com minha mãe. Apenas uma vizinha se intrometia, mas ela não estava naquele dia. Ninguém aparecia para fazer minha mãe parar com aquela tortura.
Eu era apenas uma criança. Não sabia exatamente porque estava apanhando. Não entendia a fúria da minha mãe. Eu apenas estava brincando com uma boneca! Não fiz mal a ninguém! Porque minha mãe me batia? Meu irmão é quem cuidava dos meus ferimentos. Ele colocava água com sal. Ardia muito! Não entendia porque essa maldade com uma criança inocente e indefesa...
Aos 9 anos começaram os pesadelos. Sonhos perturbadores. Sonhava constantemente com uma igreja... Uma capela... Casas em miniatura. Na verdade parecia uma cidade em miniatura. Também via a imagem de um homem e de uma mulher. E a frase? Via uma frase: Estaremos unidos para sempre. Muitas noites mal dormidas. Também não entendia o porquê desses sonhos. Aliás, não entendia um monte de coisas.
Eu passava horas em frente ao espelho. O espelho era o meu outro refúgio. Meu espelho mágico me permitia viajar para um mundo de paz e harmonia. Eu u ficava horas em frente ao espelho admirando minha beleza. E minha mãe.... O tempo todo de implicância! Ela dizia: Saia da frente desse espelho! Va procurar o que fazer! Ela não dava sossego.
Com o passar do tempo... Eu estava intrigada. Havia algo errado comigo. Eu Ja estava no início da adolescência. Algo em meu... Espelho mágico não estava certo. A imagem que eu via no espelho não era a minha! Eu estava tão confusa... Procurei umas amigas, e elas confirmaram as minhas suspeitas. Disseram que eu não era uma menina! Sabiam o tempo todo, mas não se importavam com isso! Elas gostavam de brincar comigo. A partir daí, passava mais tempo em cima do pé de amoras chorando e comendo amoras. Eu não me conformava! Eu agora percebia que eu não era uma menina e sim um menino! Mas como eu poderia um menino? Não fazia sentido! Eu me sentia menina! Lembro que eu ia para frente do espelho e repetia: Eu sou uma menina! Eu sou uma menina! Eu sou uma menina! Mas como eu podia explicar detalhes masculinos eu meu corpo? Não entendia aquilo! Minha alma de menina estava presa num corpo que não era o meu! Agora eu entendia porque minha mãe me batia tanto! Agora eu entendia porque não podia brincar com bonecas! Meninos não brincam com bonecas!
Eu tentava esconder o detalhe que tanto me envergonhava. Tentava disfarçar minha genitália masculina. Aquilo era como uma maldição! Fiquei revoltada. A partir daquele momento eu afirmava a todos que era uma menina! Os insultos vinham de todas as partes!
............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... Os pesadelos não paravam. Eu estava confusa e triste. Com mais freqüência eu tinha os sonhos intrigantes. O mesmo sonia, qualquer semelhança é mera coincidência. Reforço aqui todo meu respeito e carinho por todos os transexuais e travestis.// Obs.: Alguns erros de concordância são propositais.Quero que a estória pareça uma conversa com o leitor. )

Escrita por Heliomar Melo

5 comentários:

  1. Olá Heliomar!

    Saudades de vir aqui!

    Li o seu conto com a respiração suspensa:criativo,verdadeiro e trazendo a mensagem que todos necessitam aceitar!

    Ser diferente é normal seja qual for a diferença!

    Meu carinho!

    Sonia Regina

    ResponderExcluir
  2. Olá Heliomar!

    Saudades de vir aqui!

    Li o seu conto com a respiração suspensa:criativo,verdadeiro e trazendo a mensagem que todos necessitam aceitar!

    Ser diferente é normal seja qual for a diferença!

    Meu carinho!

    Sonia Regina

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  3. Olá Heliomar!

    Saudades de vir aqui!

    Li o seu conto com a respiração suspensa:criativo,verdadeiro e trazendo a mensagem que todos necessitam aceitar!

    Ser diferente é normal seja qual for a diferença!

    Meu carinho!

    Sonia Regina

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  4. Que prazer ter voce aqui de novo Sonia Regina. Obrigado. Foi dificil dar vida esse transexual. Sofri muito para vive-la. Sou ator e vivo com intensidade cada personagem. As surras... Foram as minhas.rsrs Apanhava tambem com galhos de goiabeira. rsrsr No meu caso minha mae tinha razao. Eu era um diabinho! rsrsrs/// Acredita que fiz uma armadilha p um vizinho beeemmm obeso que passava pelo nosso quintal p cortar caminho... Aquele senhor ficou preso no buraco da armadilha um tempao! Eu era realmente encapetado. rsrs

    Grande abraco quirida. (to indo xeretar no blog. rsrs)

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  5. Saudades!! Voce continua muito criativo e dinamico.
    Voce é um verdadeiro escritor.
    Mil bjs. Heudes.

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Escrevo com a emocao e com o coracao. Bem Vindo a Minha Mente!!