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terça-feira, 9 de novembro de 2010

AGORA POSSO VOAR

Prefiro o galho mais alto da árvore. Gosto de ficar admirando as estrelas. Tento inutilmente conta - las. Rsrs E minha mãe... A todo o momento gesticulando e sinalizando que eu teria que dormir. Afinal, nos primeiros raios do sol, teríamos uma grande jornada pela frente. Essa nova mamãe é um pouco severa, mas ela tem razão, esse novo mundo é bem diferente.
Hoje as estrelas estão mais brilhantes. Fecho meus olhos e posso ver como se fosse hoje a minha outra vida: Lembro dos meus irmãos.... Das nossas brincadeiras... Lembro do presente que papai me deu... Ele mentiu dizendo que foi papai Noel quem deixou aquele presente na lareira. Rsrrs Eu fingi que acreditei. Eu não acredito mais em papai Noel... Rsrs Mamãe.... Que saudades dela.... O cuidado que ela tinha comigo..... O carinho.... Aquela sensação de proteção... Aquele carinho era como rajadas refrescantes da brisa do mar!
Naquele dia estávamos felizes. Íamos a um sítio passar o final de semana. Eu, mamãe, papai e meus dois irmãos. Lembro muito bem que ajudei mamãe a preparar os sanduiches . Papai estava feliz, afinal, teria um bom descanso. E fomos nós estrada afora. Eu e meus irmãos brincávamos fingindo também dirigir o carro e... De repente... Ouví um estrondo! CRASH! Escureceu! Quando acordei, estava num quarto. Sim. Um quarto com paredes brancas e teto na cor laranja. Meus pais estavam próximos e choravam muito. Mamãe acariciava meu rosto. Suas lágrimas desciam pelo seu rosto. Papai me pedia perdão por achar que tinha culpa do acidente. Todos os outros estavam bem. Tiveram pequenos arranhões. Isso eu ouvi mamãe dizer para alguém que também estava dentro do quarto. Meus irmãos estavam em outro quarto.
Passaram-se dias e minhas dores me atormentavam! Sentia como se facas furassem meu corpo! Eu implorava a Deus para que terminasse com meu sofrimento. Queria gritar que acabassem com aquela tortura, mas não conseguia! Nem os olhos eu conseguia mexer! Aqueles tubos prolongavam ainda mais meu sofrimento! Mamãe não queria que eu fosse embora. Mas... Eu não estava mais suportando as dores.... Eu tentava através do meu olhar dizer a ela que desligasse os aparelhos... Mas ela não entendia... Tentei inutilmente também dizer a ela que queria ver pela última vez as estrelas. Eu queria ver as estrelas! Mas ela também não entendeu...
Aos poucos... As dores desapareceram. Veio aquela sensação de alivio... E foi... Escurecendo... Escurecendo.... Ainda pude ouvir barulho de terra caindo. A partir desse momento me senti um minúsculo ponto vermelho-sangue levitando... Levitando... Fui me afastando da terra. Como um cometa, fui em direção ao grande buraco negro. O centro do universo! Fui sugado e levado a um quase infinito labirinto que parecia nunca ter fim! Era uma sensação maravilhosa... Na verdade eu não queria que aquela jornada terminasse! Já podia ver de longe uma luz brilhante, um amarelo intenso.... Fui aproximando... Aproximando... Mergulhei naquele creme gelatinoso amarelo! Fiquei exatamente no centro! Era como água morna envolvendo meu corpo. Não tinha plena consciência do que estava acontecendo. Um pouco de tempo... Fui crescendo... Crescendo... Ate encostar no teto. Com muito esforço consegui quebrar o teto. E sai daquele... Caixote. Não entendia o que exatamente estava acontecendo. Logo em seguida sentí um enorme tapete em cima de mim. Me mantinha aquecido. Por dias sentí aquele calor gostoso do enorme tapete. Que coisa estranha... O tapete se mexia! Fui crescendo embaixo do tapete... E aos poucos percebia que não era um tapete que me aquecia... Era um pássaro! Sim! Um pássaro! O tapete era um pássaro! As asas do pássaro me aquecia! Eu... Eu também era um pássaro! Aquele pássaro na verdade era minha mãe! E havia mais outros dois pássaros próximos a mim! Eram meus irmãos! Eu agora sou um pássaro, que incrível! A surpresa que veio seguir me deixou... Perplexo! Eu estava no quintal da casa que eu morava quando eu era humano! Da minha casa!
Enquanto minha mãe ave nos ensinava a voar, eu esperava o momento certo para rever minha mãe humana. Os treinamentos eram constantes!
Finalmente, agora posso voar. Posso voar sozinho! Que sensação fantástica! Se os humanos tivessem ideia do quanto é maravilhoso voar...
Desobedecendo as ordens da mãe ave que recomendou que eu não aproximasse dos humanos... Me enchi de coragem e pousei no ombro da minha mamãe humana que estava no quintal. Tentei me comunicar mas ela não entendia! Cantei todos os cantos que aprendi mas, ela não entendia! No último instante... Ví algumas lágrimas saindo dos seus já envelhecidos olhos. Aquilo foi uma glória para mim! Não era muito, mas já estava satisfeito. Afinal, já tenho outra mamãe. Também amo minha mamãe ave.
Todos os dias que se seguiram me aproximei mais da velha mamãe humana. Ela sempre fica feliz em me ver. Gosto de ver seu sorriso. Lembra minha outra vida. Também ví meus irmãos humanos. Estavam bem e felizes. Finalmente encontrei paz.
Minhas queridas estrelas brilhantes, eu passaria minha vida inteira admirando vocês, mas agora tenho que dormir. Amanhã teremos uma grande jornada! Temos que cumprir uma rota migratória desconhecida. Agora sou mais experiente, sou um pássaro adulto.

Voando por ai...

(Sofrí muito para encarnar essa criança. Passei a noite inteira imaginando e criando essa história. Me emocionei. //// Inspiração 1: Minha inquietação pela demora do Robin Hood.(o pássaro que domestiquei e que pasava horas assoviando com ele) Estou prestes a voltar para o Brasil e queria vê-lo pela última vez. Ele deve estar migrando. // Inspiração 2: Uma linda mensagem que recebí de uma moça chamada Lila Lima. Ela captou minha essência. Ela, conseguiu perceber que para mim, o ser humano é o diamante mais precioso da terra.)

Escrito por Heliomar Melo

Um comentário:

  1. Você disse uma coisa muito interessante, que eu já havia percebido desde sempre, mas tinha guardado comigo: por que esse povo do primeiro mundo tem dinheiro, conforto, posição e estão sempre de cara feia, mau humor, parecendo estarem revoltados com a vida? Se a vida deles é tão boa, porque parecem tão amargos? Como diz um amigo: "vai entender o ser humano!"

    Muito bom o seu texto. Parabéns!

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