segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VIDA NĀO TĀO FÁCIL

Olá, me chamo Isaura.Claro que é um nome fictício. Estou aqui hoje para falar um pouco de minha vida. Sou casada. Somos pobres. Meu marido não consegue nem pagar o básico das nossas despesas.Tenho 4 filhos. A vida não tem sido fácil para minha família. Meu marido é esforçado. Acompanho a luta dele para nos dar o mínimo de conforto.Mas infelizmente passamos necessidades.
Umas amigas de falaram de uns trabalhos de faxina na capital.Diziam que se ganhava um bom dinheiro. Todo verão, segundo elas,se ganhava muito dinheiro!
Um dia tomei coragem e fui. Fiquei num quarto onde haviam 2 triliches. 3 camas uma em cima da outra. Quase chegava ao teto. 6 meninas num pequeno quarto! Nas últimas conversas com as meninas, ja sabia exatamente o que era o trabalho de " faxina ". Relutei muito. Mas um dos meus meninos estava muito doente. Precisava fazer um tratamento raro e que não era pago pelo sistema de saúde.Meu filho iria morrer se eu não conseguisse dinheiro para o tratamento. Com o coração apertado ,uma dor no peito e a esperança de salvar meu filho... aguardava o momento de fazer o "trabalho" fácil segundo minhas amigas.
No dia seguinte, nos arrumamos.Minhas amigas me vestiram com roupas... diferentes das que eu uso normalmente.Me sentia estranha com aquelas roupas. Até realçaram minha beleza. Nem sabia que era tão bonita! Em seguida fomos para o "trabalho". Durante o percurso eu sentia medo.Todo meu corpo tremia. As meninas tentavam me acalmar.
Quando chegamos la.... entramos por uma porta discreta num prédio no centro da cidade.Corredores sujos.. tinha uma aparência decadente... .. me sentia como se tivesse entrando num cenário de filme de horror. Chegamos a um grande salão. Mesas por todos os lados. Muitas mulheres e homens conversavam e davam gargalhadas. As mulheres tinham um comportamento... extravagante.
Atendi naquele primeiro dia 50 clientes! Me sentia um lixo! Um lixo humano! Tinha ódio de mim! Indo para o alojamento eu chorava.. chorava..minhas amigas diziam que com o tempo eu acostumava.Chegando no alojamento fui direto para o banheiro.Fiquei um tempão me esfregando...esfregando.... tentava tirar toda a sujeira do meu corpo. Me sentia suja!Águas e lágrimas se misturavam.... meu coração se despedaçava... meu chão se partia... sentia como se cada passo que eu dava, o chão que meus pés pisavam ia se desfazendo. Essa tortura durou um mês. Voltei para casa com muito dinheiro e meu filho foi salvo e comprei um monte de roupas para as crianças.. muito mantimento.. minha família estava feliz.
Meu marido... no fundo desconfiava de alguma coisa. Mas.. agíamos como se tivéssemos um pacto de silêncio.
E todo verão era a mesma coisa. Me despedia dele e das crianças e dizia que iria fazer faxina na capital. Ele me abraçava, e com muita ternura retirava uma lágrima que descia pelo meu rosto. Me abraçava apertado como se estivesse me pedindo perdão por consentir aquilo.Me despedi e fui saindo devagar e lancei um último olhar para trás. Vi que ele e as crianças choravam .

Os verões da minha vida.

(sou ator.Me emocionei muito com essa história. Viver essa dona de casa foi uma experiência muito difícil para mim. História fictícia.Qualquer semelhança é mera coincidência)


Escrito por Heliomar Melo

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